Classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n° 8.447, publicado em 10 de-novembro de 1922, na década de 1940 o castelo foi objeto de intervenção de-consolidação e restauro pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais-(DGEMN), mantendo-se em boas de condições de conservação até aos nossos dias.
O castelo da Amieira é o protótipo de castelo gótico português segundo os estudos do-Prof. Mário Barroca. O castelo possuía dois níveis de defesa complementar, referidos-na documentação do século XIV: um fosso, de que não resta, hoje, grandes vestígios-e uma barbacã ao redor da fortaleza, que formava um segundo patamar de difícil-transposição em caso de cerco. A fortaleza sofreu várias modificações nos séculos-posteriores.
Trata-se de uma construção de raiz onde as soluções construtivas denotam
claramente uma intenção militar, mas dentro de um discurso que se insere já numa-linguagem gótica. De acordo com Pedro Cid trata-se de uma concepção mais
racionalizada e planeada, sendo que o castelo que defendia Amieira possuía várias-características que na época se revelaram pioneiras em Portugal.
Esta fortaleza caracteriza-se por ser um espaço simples, rectangular, protegido por-uma cerca de muralhas, com três elegantes torres quadrangulares, para além da-imponente e simbólica torre de menagem. Possuía, ainda uma barbacã e, no meio da-praça de armas, uma cisterna para armazenamento de água. A partir dos dados-bibliográficos e historiográficos, sabemos que a sua construção se iniciou durante os-anos de 1350-1360, uma vez que a carta régia de 27 de maio de 1359 refere que,-nessa data, as obras se encontravam ainda inacabadas. Implantado numa zona baixa-e plana da vila, pela sua função ser sobretudo residencial.
Depois da sua conclusão, serviu como local de refúgio e descanso para D. Álvaro-Pereira. Após a morte de D. Fernando I, o castelo de Amieira tomou partido, primeiro-por D. Beatriz, de acordo com a orientação política de D. Pedro Álvares Pereira, e-posteriormente à Batalha dos Atoleiros, em maio de 1384, por D. João Mestre de Avis,-sob influência de Nun’Álvares Pereira. Durante a crise dinástica de 1383-1385, o-castelo de Amieira foi palco de alguns conflitos, ainda que não existam ainda-informações sobre incidentes ou ataques diretos ao castelo.
No século XV, em 1440, o castelo de Amieira sofreu o seu primeiro cerco, de curta-duração, porque não terá oferecido muita resistência. Este cerco ocorreu dentro de um-quadro de disputa entre a rainha D. Leonor, viúva de D. Duarte, e D. Pedro, seu-cunhado, à data regente do reino, sendo que é possível que o castelo tenha sido então-parcialmente destruído e depois reconstruído e modificado.
Nos reinados de D. João II e de D. Manuel, há referência a obras, provavelmente de-adaptação da estrutura às novas exigências da guerra. Simultaneamente, serviu de-prisão, função determinada pela excelência do projecto arquitetónico.
Data de 1846 a transformação da praça de armas em cemitério como resposta ao-decreto que proibia o enterramento dentro das igrejas e adros das mesmas, tendo-se-entaipado por essa altura a porta de frontaria do castelo.
Adossada a uma das torres do castelo, mas fora das muralhas, a Capela de São João-Baptista data de 1556, conforme inscrição sobre o portal principal, com portão em arco-de volta perfeita com aduelas almofadadas. É original embora tenha sido restaurada.
O altar tem uma imagem de S. João Batista, que foi o padroeiro da Ordem dos
Hospitalários, a quem o rei delegou a gestão do castelo e este território. No interior,-apresenta abóbada de caixotões decorada com um conjunto diversificado de
representações em esgrafito com grotescos e uma imagem do padroeiro, além de um-retábulo tardo-renascentista.
Classificada como Imóvel de Interesse Público, a capela foi construída no século XVIII-por vontade de Pedro Vaz Caldeira Sequeira, sargento-mor da vila, tendo a conclusão-das obras em 1740. Edifício em pedra, de construção barroca, a atual foi reconstruída-no local de uma outra capela que foi demolida. A capela é grande e a fachada principal-com cunhais e guarnições de granito. É composta pela capela-mor e dois altares-laterais e o altar-mor é em granito. Dedicada ao Senhor dos Passos,
Nas Memórias Paroquiais é referido que não se sabe a data exata em que começou a-ser edificado, mas, em 1728, já se encontrava em construção, como o comprova o-testamento de Pedro Vaz Caldeira, que instituiu uma capela com os seus bens, cujos-rendimentos deveriam ser aplicados na obra do Calvário. Contudo, as obras
prolongaram-se e, no seu Dicionário Geográfico, o padre Luís Cardoso (de 1747-51)-refere que apenas a capela-mor estava concluída, já com o retábulo, em cantaria (a-imitar talha), que custou oito mil cruzados. Faltava, no entanto, “fazer o corpo da-igreja, cujo gasto se tira dos bens que para este efeito deixou Pedro Vaz Caldeira,-Sargento-Mor que foi desta Vila” (CARDOSO, 1751).
A igreja paroquial é um edifício do século XVII, levantamento da igreja à Ordem do-Priorado do Crato por Pedro Nunes Tinoco, o arquitecto régio do tempo da dominação-filipina em Portugal, que esteve em atividade de 1604 a 1640, marcadamente-maneirista e que desenvolveu vários trabalhos em Lisboa e Coimbra.
A igreja tem como orago São Tiago Maior, um dos Doze Apóstolos de Jesus, é o santo-padroeiro da Espanha e, segundo a tradição, o que se acredita serem seus restos-mortais estão guardados em Santiago de Compostela, na Galiza. Na igreja católica, é-festejado a 25 de julho
Edifício religioso composto por nave única, capela-mor e pequena sacristia. A fachada-é de linhas simples, antecedida por escadaria e encimada por pequena Cruz. O-interior está enriquecido com azulejos do século XVI, um retábulo-mor barroco, com-colunas salomónicas, elementos vegetalistas, conchas, vasos e querubins.
A Senhora da Sanguinheira é invocada no dia 8 de Setembro.