A Paróquia de Nª. Srª. de Arez pertenceu à Diocese de Évora, onde se manteve até 1260, data em que transitou para a Diocese da Guarda. A apresentação do párocovigário, freire professo da Ordem de Cristo, foi da jurisdição da mesma Ordem e,-posteriormente, da Mesa de Consciência e Ordens, pertencendo desde então à-Diocese de Portalegre.
O vigário da Igreja de Nª. Srª da freguesia de Arez entre 1609 e 1615 era o Padre-António Sanguinho. Anualmente era gasta determinada quantia de dinheiro da Fábrica-da Igreja no ornato da capela da igreja, que neste caso se trata da Igreja Paroquial,-ainda hoje existente, apesar de muito alterada, mas que ainda ostenta o símbolo da-Ordem de Cristo e é de invocação de Nª. Srª. da Graça, pelo que o prior podia então-ser indicado pela Ordem.
A Igreja Paroquial, data do século XVI, encontrava-se no séc. XVIII, à data das-Memórias Paroquias, fora da vila, mas próxima das ruas da mesma, de forma que-algumas terminavam junto do adro da Igreja.
A igreja matriz é de nave única e possui três altares. No altar-mor a imagem do oragoda Paróquia de Arez, a Nª. Srª.da Graça.
A construção está datada do séc. XIV. Só tem um altar, com a imagem do Santo
António e era administrada por um reitor, um escrivão, um tesoureiro e dois irmãos-eleitos anualmente. Fica esta ermida na propriedade que recebeu o seu nome, e junto-à ribeira e fonte de Santo António. O primeiro templo religioso construído em Arez pela-sua construção, por ficar situado, não muito longe daquele que terá sido o núcleo-primitivo de Arez, e mais tarde alterada com a reconstrução da fachada de arquitetura-neogótica.
A Capela da Misericórdia é um pequeno templo renascentista de carácter regional e do-séc. XVI. A Misericórdia de Arez funcionava na ermida do Divino Espírito Santo. A-igreja é de nave única com arco triunfal de cantaria que separa a capela-mor do-restante corpo. O orago é o Santo Amaro, da antiga confraria ligada ao hospital da-Misericórdia.
A sacristia encontra-se à direita da capela do altar-mor. O teto da capela-mor é de-caixotões e apresenta pinturas murais nos 2 altares laterais que ladeiam o arco-triunfal, e o púlpito, na nave, originalmente de granito tem inscrita a data de 1618, data-provável da sua construção e provavelmente da época das obras de restauro e
ampliação do edifício primitivo. No altar-mor existe um retábulo integrado (pintura e-escultura) de talha dourada, mal conservado. A escultura representa a Crucificação de-Cristo e a pintura representa, em vez da cidade de Jerusalém, em 2º plano, uma-cidade da época, com vegetação tropical e no lado direito da composição, é
representado pinhal numa alusão à flora regional, e uma lua cheia. Após campanha-recente de intervenção de restauro encontrou-se a data do enxaquetado original da-parede fundeira, 1602, assim como o friso de esgrafito do século XVII.
Localizado numa encruzilhada de caminhos próximo da igreja matriz, data do século-XVII e construído em granito. Símbolo cristão em forma de cruz, onde Cristo foi-crucificado, um Cruzeiro é geralmente uma grande cruz de pedra, erguida ao ar livre,-no adro de igrejas, ou em encruzilhadas, praças, cemitérios, geralmente colocados-nas bermas dos caminhos, nas praças, no alto dos montes, perto das povoações ou-isoladas e são mais ou menos monumentais, de pendor artístico uns ou lisos, como é-o caso do de Arez.
Os cruzeiros representam o espírito popular da devoção religiosa, marcam locais de-acontecimentos individuais ou públicos, quer históricos, quer religiosos e têm como fim-santificar esses espaços. Para esta santificação são determinantes as procissões que-percorrem o perímetro da igreja e dão a volta ao redor do Cruzeiro. A função dos-cruzeiros é de sacralizar esse locais, dominar e proteger os campos, recordar-epidemias e/ou assinalar momentos históricos.
Da época alto-medieval, as sepulturas testemunham o povoamento primitivo do-território de Arez, e ainda se encontram algumas que se preservaram dispersas, sendo-que a maior concentração se situava entre as Tapadas do Santo António e da Choça e-ainda alguns testemunhos na Tapada da Nave entre outros núcleos dispersos.
Na Tapada da Urra, nas imediações encontram-se elementos como a Ermida de Santo-António, sepulturas e pontões medievais, indicando um local de antigas vias de-comunicação e o local de divisão entre as terras da Ordem do Hospital e as da Ordem-de Cristo.
Conhecida já no tempo do rei D. Afonso V (1445) chegou a ter 4 homens a guardá-la-dia e noite, dada a sua importância. No tempo de D. João V, houve uma tentativa-falhada de esgotar as águas e para tal, abriu-se o segundo de dois poços hoje aí-existentes. Daqui foram retiradas várias pedras “de várias cores, amarelas, que eram-as mais finas e valiosas, encarnadas e brancas e com raios azuis, e roxas, que foram-mandadas para Lisboa e muito apreciadas, ficando algumas nesta villa, que ainda-pelos anos de 1758 se conservavam em anéis, brincos e outros ornatos”, uma delas-oferecida á capelas de S. Gens, mais tarde roubada.